Do piloto à escala: como a CPFL está levando a frota elétrica para o trabalho de campo
A transição energética no setor elétrico vai muito além da expansão das fontes renováveis. Ela também exige transformar a forma como as distribuidoras operam suas atividades no dia a dia, em um movimento que busca alinhar metas ESG à eficiência de custos, à excelência operacional e à geração de valor sustentável. É nesse contexto que a CPFL Energia vem construindo, há mais de uma década, uma trajetória de inovação em mobilidade elétrica1 que combina eletrificação urbana, desenvolvimento tecnológico e geração de conhecimento para o setor.
Quando iniciou seus primeiros estudos sobre o tema, ainda nos anos 2000, o desafio era compreender como a mobilidade elétrica funcionava e qual poderia ser seu papel no futuro da energia. Com o passar do tempo, as perguntas ficaram mais complexas: qual seria o impacto da eletrificação sobre a rede elétrica? Como desenvolver infraestrutura de recarga? Quais modelos de negócio poderiam viabilizar a adoção da tecnologia? E, mais recentemente, como levar essa transformação para o coração da operação de uma distribuidora de energia?
Ao longo dessa jornada, a companhia estruturou iniciativas pioneiras que ajudaram a responder essas perguntas. Entre elas estão o Living Lab de Campinas, o Corredor Verde, projetos de infraestrutura de recarga inteligente, estudos de segunda vida de baterias, o desenvolvimento do primeiro caminhão elétrico com PTO nacional, além de iniciativas voltadas à ampliação do acesso à mobilidade elétrica, como o aluguel de veículos elétricos para motoristas de aplicativo. Mais do que projetos isolados, essas iniciativas contribuíram para o desenvolvimento de conhecimento técnico, infraestrutura e modelos de negócio necessários para a expansão da eletromobilidade no país.
Um marco importante dessa trajetória ocorreu em 2021, com a criação do Laboratório de Mobilidade Elétrica de Indaiatuba (SP), desenvolvido por meio do Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da ANEEL. Com investimento de R$ 17 milhões, a iniciativa permitiu substituir integralmente a frota operacional da cidade por 21 veículos elétricos, apoiados por 16 pontos de recarga. Ao longo de três anos, os veículos rodaram mais de 1,24 milhões de quilômetros, trazendo uma bagagem sólida sobre autonomia, padrões de utilização, estratégias de recarga, desempenho operacional e requisitos de infraestrutura para aplicações reais.

Agora, a CPFL avança para um desafio ainda maior: entender como a mobilidade elétrica pode ser aplicada em escala em atividades críticas do setor elétrico, onde disponibilidade, confiabilidade e segurança são requisitos essenciais. Esse próximo passo envolve a eletrificação de caminhões equipados com cestos aéreos de 10 e 13 metros, utilizados diariamente na manutenção e operação das redes de distribuição. Para isso, o projeto exige conciliar autonomia, infraestrutura de recarga, manutenção, capacitação das equipes e disponibilidade operacional com os elevados padrões de segurança exigidos pela atividade.
A nova fase conta com investimento de R$ 59,69 milhões até julho de 2028, sendo R$ 35,33 milhões provenientes do PDI ANEEL e R$ 24,36 milhões de recursos próprios da companhia. O foco deixa de ser apenas testar a viabilidade dos veículos para avaliar a escala e a segurança operacional em rotinas severas.
Para isso, três bases com perfis bem diferentes foram escolhidas: São José do Rio Preto (SP), que concentra um volume alto de chamados e integração entre equipes; Itapetininga (SP), com rotas rurais e distâncias maiores; e São Leopoldo (RS), escolhida pela distância da região Sul em relação aos centros de manutenção e suporte pós-venda já estabelecidos, hoje majoritariamente concentrados no Sudeste. A escolha também busca fomentar o desenvolvimento da infraestrutura para a frota elétrica na região.
Ao longo do desenvolvimento do projeto, a CPFL trabalhou em parceria com fornecedores para criar soluções específicas para essa aplicação. Entre os avanços está a adaptação de sistemas de tomada de força (PTO) para veículos elétricos, permitindo que os equipamentos operem utilizando a própria bateria de tração. Na prática, isso significa eletrificar não apenas o deslocamento dos veículos, mas também a execução das atividades realizadas em campo.
“Depois de mais de uma década investindo no tema, a CPFL entra em uma nova etapa ao incorporar a eletrificação às operações críticas do setor elétrico. O desafio agora é entender como essa tecnologia se comporta em escala, em diferentes realidades operacionais. Com esse projeto, estamos gerando conhecimento e experiência prática para preparar nossa infraestrutura para uma transição energética cada vez mais conectada à realidade do setor elétrico.”, afirma Rafaele Lebani, diretor de Estratégia, Inovação e Excelência da CPFL Energia.
A operação envolve caminhões elétricos com cestos aéreos de 10 e 13 metros, além de caminhões de pequeno porte também equipados para atividades de campo. Para garantir a rodagem sem gargalos, o projeto implantou carregadores estratégicos nas bases participantes e integrou a frota ao Corredor Verde, que atualmente conecta diversos municípios do estado de São Paulo por meio pontos de recarga.
Como resultado, a CPFL chega a 134 veículos elétricos em operação em suas distribuidoras. A meta até 2030 é atingir 15% da frota de caminhões com cesto aéreo de 10m e 13m de comprimento das distribuidoras.
A expansão da eletrificação das frotas operacionais da CPFL representa mais do que a substituição de veículos a combustão por elétricos. O projeto busca responder desafios que serão cada vez mais relevantes para o setor elétrico, como infraestrutura de recarga, planejamento energético, integração de equipamentos e viabilidade operacional da eletrificação em larga escala. Ao mesmo tempo, a iniciativa contribui para reduzir emissões e executar operações mais silenciosas, eficientes e preparadas para o futuro.
Ao testar essas soluções em condições reais, a companhia gera conhecimento que pode apoiar a evolução da mobilidade elétrica, da transição energética e da modernização das distribuidoras brasileiras. Mais do que eletrificar sua frota, a CPFL está ajudando a construir as referências, a infraestrutura e os aprendizados que apoiarão a próxima etapa da mobilidade elétrica no Brasil.
1 As iniciativas mencionadas ao longo do texto foram desenvolvidas pelo Grupo CPFL com apoio do Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI) regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), no âmbito dos projetos PD-00063-0060/2013; PD-00063-3043/2018; PD-00063-3060/2019; PD-00063-3061/2019; PD-00063-3062/2019; PD-00063-3097/2024.



