Produzir mais não basta: a nova fase do setor de Óleo e Gás
Recorde de produção, novas exigências regulatórias e operações mais complexas ampliam a busca por tecnologias capazes de aumentar a previsibilidade, preservar ativos críticos e apoiar uma gestão mais eficiente das emissões
O setor brasileiro de óleo e gás vive um momento histórico. Em 2025, o país registrou a maior produção de petróleo e gás natural de sua trajetória, consolidando-se como um dos protagonistas globais da indústria. O avanço da produção, impulsionado principalmente pelo pré-sal, amplia oportunidades para toda a cadeia produtiva, mas também eleva o nível de exigência sobre as operações.
Em um cenário marcado pela expansão da atividade, a indústria precisa equilibrar diferentes prioridades. Além de aumentar a produção, é necessário elevar a eficiência operacional, preservar ativos críticos, atender a requisitos ambientais mais rigorosos e incorporar tecnologias capazes de ampliar a segurança e a previsibilidade dos processos.
Nesse contexto, a inovação assume um papel estratégico para conectar desempenho operacional, sustentabilidade e confiabilidade.
“A indústria vive um momento muito rico de evolução tecnológica. Existem iniciativas relevantes sendo desenvolvidas simultaneamente em diferentes mercados e contextos operacionais. O valor está em conectar esse conhecimento, compreender o que faz sentido para a realidade brasileira e acelerar a aplicação de soluções capazes de gerar ganhos concretos para as operações. Como representantes no Brasil de diversas empresas, incluindo NevadaNano e DeltaValve, acompanhamos de perto iniciativas que contribuem para enfrentar desafios importantes do setor”, afirma Fábio André, CEO da FLUXO Soluções Integradas.
Entre os temas que ganharam relevância nos últimos anos está o controle das emissões de metano. Considerado um dos gases com maior impacto sobre o aquecimento global no curto prazo, o metano tornou-se foco de iniciativas regulatórias e operacionais em diversos países produtores de petróleo e gás.
No Brasil, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) conduz discussões para a construção de uma regulamentação voltada à mitigação dessas emissões. Ao mesmo tempo, cresce a demanda por tecnologias capazes de fornecer informações mais precisas sobre o comportamento das instalações.
Nesse cenário, sistemas de monitoramento contínuo vêm ganhando espaço por permitir a detecção, localização e quantificação de emissões em tempo real. Um exemplo é a tecnologia MethaneTrack™, desenvolvida pela NevadaNano, que apoia operadores na construção de estratégias mais eficientes para monitoramento e redução de emissões, além de fornecer dados que contribuem para a tomada de decisão e para o atendimento de requisitos regulatórios.
Outra frente relevante está relacionada à integridade dos ativos. Em refinarias e unidades industriais, equipamentos submetidos a condições severas de operação exigem atenção constante para garantir confiabilidade, disponibilidade e longevidade.
Os tambores de coque ilustram bem esse desafio. Expostos a sucessivos ciclos de aquecimento e resfriamento, esses equipamentos estão sujeitos a elevados esforços térmicos ao longo de sua vida útil. Por isso, a indústria vem investindo em soluções capazes de reduzir desgastes e preservar sua integridade estrutural.
Entre os exemplos está o sistema CenterFeed®, desenvolvido pela DeltaValve. A tecnologia foi projetada para reproduzir os padrões de fluxo da alimentação central tradicional em tambores de coque, contribuindo para uma distribuição térmica mais uniforme e reduzindo esforços que podem impactar a vida útil dos equipamentos.
“Independentemente do segmento, existe uma convergência muito clara na indústria. As empresas estão buscando maior previsibilidade operacional. Isso passa por conhecer melhor suas emissões, monitorar processos em tempo real e aumentar a confiabilidade dos ativos críticos. São desafios diferentes, mas que exigem uma combinação cada vez maior entre tecnologia, engenharia e inteligência operacional”, destaca Fábio André.
Embora aplicadas a desafios distintos, iniciativas como essas refletem uma transformação mais ampla que vem ocorrendo na indústria. O avanço da digitalização, da automação e do monitoramento em tempo real está ampliando a capacidade de análise das operações e contribuindo para decisões mais rápidas e fundamentadas.
À medida que o setor entra em uma nova fase de crescimento, a capacidade de conectar conhecimento técnico, inovação global e aplicação prática será determinante para transformar desafios complexos em oportunidades de evolução para toda a cadeia de óleo e gás.



