Revista Brasil Energia | Bahia Oil & Gas Energy 2026

PetroReconcavo foca em recuperação de reservatórios e comercialização

De acordo com o VP de Operações, João Vitor Moreira, companhia mantém Capex resiliente, mitiga declínio de campos maduros e aposta no mercado livre e logística sustentável de GNL

Por Rosely Maximo

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Em entrevista concedida à Brasil Energia durante o Bahia Oil & Gas Energy 2026, o vice-presidente de operações da PetroReconcavo, João Vitor Moreira, detalhou os rumos do plano de negócios da empresa frente à volatilidade geopolítica do preço do petróleo, os investimentos em recuperação secundária e a maturidade de sua mesa de comercialização de gás. Os principais destaques abordados foram:

  • Estratégia de Longo Prazo e Capex Resiliente: Diante das incertezas externas e da volatilidade de preços provocada por conflitos internacionais, Moreira enfatizou que a PetroReconcavo não altera o rumo de sua estratégia operacional, que é focada no longo prazo. A companhia mantém um programa de investimentos muito forte, na casa de R$ 1 bilhão ao ano, focado em estender a vida econômica dos ativos terrestres, otimizar sistemas de escoamento e aprimorar a infraestrutura de Midstream.

  • Manutenção do Patamar de Produção e Recuperação Secundária: O VP indicou que a produção da petroleira deve se estabilizar nos níveis atuais de cerca de 25.000 barris de óleo equivalente por dia (boe/d). Para contrabalançar o declínio natural dos campos maduros, a companhia reduziu o ritmo de novas perfurações e está focando intensamente em projetos de injeção de água para a recuperação secundária de reservatórios, com o objetivo de repressurizar campos que produzem desde a década de 1960.

  • Foco no Ativo do Rio Grande do Norte: Embora o Recôncavo Baiano já possua um histórico maduro de injeção de água, a atenção da equipe de geólogos e engenheiros está fortemente dedicada aos ativos do Rio Grande do Norte. A petroleira está convertendo poços produtores em estágio final de vida econômica para poços injetores de água. Um exemplo de sucesso desse processo ocorre no campo de Tiê, onde as técnicas de recuperação estabilizaram o declínio e começam a pavimentar o caminho para futuros incrementos na curva de produção.

  • Mesa de Comercialização e Importação Estratégica da Bolívia: Como um dos maiores fornecedores de gás do Nordeste, com um portfólio de 1,4 milhão de m³/dia vendido para distribuidoras como Bahiagás, Copergás e Potigás, a PetroReconcavo consolidou sua própria comercializadora por meio do portal RECVTrade. Moreira explicou que a empresa desenvolveu a capacidade de importar gás da Bolívia para aproveitar janelas de oportunidade de preços internacionais e para servir de lastro de segurança para os seus contratos firmes durante as paradas programadas de suas instalações domésticas.

  • Logística com GNL e Descarbonização da Frota: No Rio Grande do Norte, a operação com a GNLink em Assu de uma planta de liquefação em pequena escala para 100.000 m³/dia, vai permitir que o gás natural alcance sistemas isolados. A inovação também será usada internamente: a PetroReconcavo iniciou um projeto-piloto para substituir carretas de transporte de petróleo movidas a diesel por veículos abastecidos com GNL. A mudança trará economia financeira e ajudará nas metas de descarbonização da companhia, que já reduziu suas emissões de CO₂ em 5% no último relatório de sustentabilidade.

  • ESG e Inclusão de Mulheres no Setor Técnica: No pilar social, Moreira celebrou a formatura, realizada durante a feira, de uma turma de capacitação técnica exclusiva para mulheres, desenvolvida em parceria com o Senai da Bahia. O programa capacitou 29 profissionais para quebrar a predominância masculina na indústria de óleo e gás, resultando na contratação imediata de oito dessas profissionais pela própria PetroReconcavo para integrar o seu time técnico de operações de campo.

Assista a entrevista completa aqui

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