Refinarias apontam Ormuz como fator-chave para estabilização do mercado
Refinarias apontam Ormuz como fator-chave para estabilização do mercado
Refina Brasil pede isonomia com a Petrobras para enfrentar crise do petróleo
A escalada do conflito no Irã e seus desdobramentos no Oriente Médio seguem pressionando o mercado global de petróleo e, na avaliação da indústria, ainda estão longe de uma normalização. “Enquanto não tivermos uma contenção do conflito ou uma estabilização do escoamento no Estreito de Ormuz, dificilmente teremos uma normalização da oscilação de preços”, afirma Matheus Soares, diretor de novos negócios da Refina Brasil.
A declaração foi dada nesta terça-feira (24) durante o Ibem 2026, realizado no Centro de Convenções Salvador, onde o executivo participou da conferência sobre segurança energética. Segundo ele, o principal fator de preocupação não é apenas o conflito em si, mas sua expansão para outros grandes produtores da região, como Catar e Arábia Saudita. “Isso afeta diretamente a logística e a oferta global de petróleo”, destacou.
No Brasil, os reflexos já são sentidos no abastecimento e nos preços. Apesar de o país ser exportador de petróleo, as refinarias privadas ainda dependem de importações para operar - entre 25% e 30% do óleo processado vem do exterior, incluindo fornecedores como Estados Unidos, Argélia e Angola. “Não conseguimos comprar plenamente petróleo brasileiro. E, com a disputa global mais acirrada, rotas mais distantes como o Brasil acabam sendo preteridas”, explicou.
Esse cenário eleva custos e pressiona o mercado interno. Com o barril de petróleo acima de US$ 100, Matheus Soares afirma ser “muito difícil” evitar o repasse aos preços dos combustíveis sem comprometer o caixa das empresas. “O petróleo representa cerca de 80% a 90% do custo. Qualquer oscilação impacta diretamente o preço final”, disse.
A situação expõe também uma assimetria no setor. Segundo o executivo, as refinarias privadas não têm a mesma capacidade da Petrobras de sustentar preços em momentos de alta. A estatal tem "bolso fundo" para "cobrir a queima de caixa ao manter o preço controlado", algo que as empresas privadas simplesmente não conseguem sustentar por muito tempo.
Medidas emergenciais
Diante desse quadro, a Refina Brasil, que representa as refinarias privadas do país, defende medidas emergenciais para ampliar a oferta de combustíveis no país. Entre elas, a liberação de petróleo da União, comercializado pela PPSA, em condições mais competitivas. A proposta é permitir que as refinarias privadas aumentem a produção de diesel e contribuam para o abastecimento em igualdade de condições com a estatal.
Para o executivo da Refina Brasil, no entanto, a solução estrutural passa por um ponto central: acesso ao insumo. “Se o petróleo representa a maior parte do custo, precisamos ter acesso a esse petróleo em condições competitivas”, afirmou.
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