Revista Brasil Energia | ROG.e 2026

Abespetro destaca avanço das exportações para a Guiana e defende marco legal do descomissionamento

Telmo Ghiorzi analisa a capacidade fabril nacional diante da Margem Equatorial, cobra acordos comerciais bilaterais e aponta entraves regulatórios em P&D e no desmantelamento de ativos offshore

Por Rosely Maximo

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A indústria brasileira de bens e serviços de óleo e gás ampliou substancialmente sua inserção regional, saltando de um patamar quase nulo em 2019 para um acumulado de US$ 1,8 bilhão (cerca de R$ 9 bilhões) em exportações para a Guiana, com foco em árvores de natal molhadas e tubos de revestimento de poços. A avaliação é de Telmo Ghiorzi, presidente-executivo da Associação Brasileira das Empresas de Bens e Serviços de Petróleo (Abespetro).

Em entrevista à Brasil Energia durante a ROG.e, o dirigente assegurou que o parque fabril instalado no Brasil tem capacidade suficiente para atender ao mercado doméstico e suprir demandas externas crescentes na Guiana, no Suriname e em novas fronteiras internacionais. Ghiorzi enfatizou ainda a necessidade urgente de estruturação de acordos bilaterais pelo Governo, a criação de um marco legal único para destravar o mercado de descomissionamento no país e uma revisão conceitual das resoluções da ANP para a cláusula de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I).

Principais destaques da entrevista:

Salto nas exportações para a Guiana

Desde 2019, o fornecimento de bens industriais brasileiros para projetos na Guiana cresceu de forma expressiva, somando US$ 1,8 bilhão. Cerca de 70% desse total corresponde a equipamentos submarinos críticos, como árvores de natal molhadas (ANMs) e tubos de revestimento.

Capacidade do parque fabril

O polo fabril brasileiro — concentrado majoritariamente nas regiões Sudeste e Sul — dispõe de capacidade produtiva para absorver o aumento da demanda interna e externa (incluindo futuros projetos no Suriname e na Namíbia), sem necessidade imediata de novos aportes em expansão de fábricas.

Logística versus infraestrutura industrial no Norte

O avanço de eventuais descobertas na Margem Equatorial demandará a instalação rápida de bases logísticas de apoio offshore e reparo no Pará e no Amapá. Contudo, a descentralização de complexos industriais fabris do Sudeste para a Região Norte demandará um horizonte mais longo, dependente de declarações de comercialidade e estudos de viabilidade após 2030.

Necessidade de acordos comerciais bilaterais

A Abespetro encaminhou ao Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) um levantamento de centenas de itens da pauta exportadora do setor, visando à construção de acordos tarifários e comerciais com Guiana e Suriname para enfrentar a concorrência de fornecedores dos Estados Unidos, Europa e China.

Incerteza na Venezuela

Ao contrário dos avanços regulatórios e institucionais observados na Guiana e no Suriname, o cenário político e econômico indefinido na Venezuela segue como barreira para investimentos da cadeia de fornecedores.

Risco de insegurança jurídica no descomissionamento

Embora o país possua competência técnica, estaleiros, portos e parque siderúrgico preparados para absorver sucata e desmontagem de plataformas, a falta de padronização regulatória gera gargalos. A entidade defende a unificação das regras em um marco legal para evitar a fragmentação de projetos de lei e riscos de reexportação de ativos.

Reforma conceitual nos investimentos de PD&I

Diante de um volume anual que supera R$ 4 bilhões gerados pela cláusula da ANP, Ghiorzi criticou a concentração de recursos em agentes isolados (universidades e petroleiras de forma segregada), em detrimento da inovação integrada. A entidade propõe que a revisão das Resoluções 917 e 918 da agência priorize parcerias diretas entre academia, operadoras e cadeia de fornecimento, visando à retenção de centros tecnológicos e doutores no país.

 

Veja a entrevísta na íntegra aqui

 

 

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