Amapá estrutura apoio logístico para a Margem Equatorial
Antônio Batista celebra descoberta da Petrobras no poço Morpho, detalha acordo com a Transpetro, qualificação pelo Propag e a criação do fundo soberano estadual
A confirmação da presença de hidrocarbonetos pela Petrobras no poço pioneiro Morpho, no bloco FZA-M-59 da Bacia da Foz do Amazonas, acelerou as ações do governo do Amapá para estruturar a cadeia de fornecedores e a logística local de óleo e gás. Com a concessão das licenças ambientais pelo Ibama para mais três poços contingentes e a previsão de retomada das perfurações com a sonda da Constellation a partir de janeiro, o estado projeta obter o primeiro óleo comercial na primeira metade da próxima década.
Em entrevista à Brasil Energia durante a ROG.e, o diretor da Agência de Desenvolvimento Econômico do Amapá, Antônio Batista, explicou que o estado mantém grupo de trabalho para viabilizar bases portuárias de apoio offshore e retroáreas industriais. O dirigente detalhou a destinação de até 50 mil vagas de qualificação profissional com recursos de juros de dívidas via programa federal Propag, ressaltou o papel de Macapá e Oiapoque como ponte logística para o mercado vizinho do Suriname e confirmou o envio do projeto de lei do fundo soberano estadual à Assembleia Legislativa.
Veja os principais destaques da entrevista:
Sucesso exploratório no poço Morpho
A constatação de hidrocarbonetos no primeiro poço perfurado após 12 anos de trâmites de licenciamento foi celebrada pelo governo estadual como um marco para a Bacia da Foz do Amazonas, contrastando com bacias que historicamente demandaram diversas perfurações até a primeira comprovação de óleo.
Grupo de trabalho com a Transpetro
O Amapá mantém acordo de cooperação técnica com a subsidiária da Petrobras para definir até o fim do ano as áreas destinadas à infraestrutura portuária de apoio offshore, atracação e galpões retroportuários para estocagem e movimentação de cargas pesadas.
Hub aéreo em Oiapoque e serviços especializados
Por força regulatória, o transporte de trabalhadores offshore ocorre exclusivamente por via aérea a partir do aeródromo de Oiapoque. O fluxo contínuo de equipes e especialistas de alta qualificação técnica já gera forte pressão na rede hoteleira, alimentação e locação de frotas de veículos utilitários no estado.
Qualificação de 50 mil profissionais via Propag
O estado aderiu ao programa federal Propag, convertendo o pagamento de juros de dívidas com a União em investimentos diretos de capacitação técnica. O plano prevê até 50 mil vagas — com 5 mil abertas no primeiro lote — voltadas, no primeiro momento, a áreas transversais da cadeia, como logística, meio ambiente, automação, auditoria e certificação.
Conexão com o Suriname e o Platô das Guianas
Pela proximidade geográfica e ligação terrestre a partir de Oiapoque, o Amapá posiciona-se como entreposto comercial e de fornecimento de suprimentos para o Suriname, país vizinho cuja produção de petróleo offshore entrará em operação comercial a partir de 2027.
Fundo Soberano e atrativos fiscais
O governo estadual concluiu a redação do projeto de lei que institui o Fundo Soberano do Amapá, a ser enviado em outubro à Assembleia Legislativa. Em paralelo com bancadas no Senado, o estado busca ajustes nas regras de vinculação exclusiva de royalties a saúde e educação, visando aplicar receitas petrolíferas em infraestrutura e diversificação econômica, apoiado no regime de benefícios da Área de Livre Comércio de Macapá e Santana.
Entrada de novas petroleiras na bacia
Além dos blocos originais da Petrobras, a bacia conta com 25 blocos contratados. Entre os destaques, petroleiras privadas como a Chevron já formalizaram aquisição de pacotes de dados sísmicos para delimitar seus blocos na região, ampliando as perspectivas de novas campanhas na Margem Equatorial.
Veja a entrevista na íntegra aqui.
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