Com investimentos de US$ 13 bi, Petrobras quer ser “amiga do agro”

Revista Brasil Energia | ROG.e 2026

Com investimentos de US$ 13 bi, Petrobras quer ser “amiga do agro”

Diretor da estatal afirma que Plano de Negócios 2027-2031 estará ainda mais “verde” e enfatiza domínio do acesso à biomassa como fator crítico

Por Gilberto Lima

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O diretor de Processos Industriais e Produtos da Petrobras, William França, apresentou o programa de biorrefino da empresa na ROG.e 2026 (Foto: Divulgação ROG.e)

O plano de negócios 2027-2031 da Petrobras deverá reforçar ainda mais os investimentos da estatal em transição energética a partir da aproximação direta com o agronegócio. Durante a ROG.e 2026, o diretor de Processos Industriais e Produtos da Petrobras, William França, detalhou a carteira atual de US$ 13 bilhões destinados a projetos de transição energética.

No segmento de bioprodutos, o executivo afirmou que a companhia focará na garantia de matéria-prima agrícola para sustentar a operação de suas futuras refinarias dedicadas à produção de combustível sustentável de aviação (SAF) e de diesel verde (HVO).

Para viabilizar a produção de biocombustíveis em larga escala, a estatal entende que dominar o acesso à biomassa é o fator crítico. Por essa razão, França enfatizou a necessidade estratégica de garantir fornecimento contínuo de etanol, sebo bovino e óleos vegetais.

"A Petrobras vai se fundir com o agro, a Petrobras é a amiga do agro", disse o diretor da estatal. "O petróleo vai acabar um dia e nós vamos continuar refinando óleo de milho, soja", acrescentou.

Orçamento verde

Os investimentos de US$ 13 bilhões em transição energética da Petrobras já representam 12% do Capex total da companhia e 8% do Capex em implantação. A fatia mais robusta desse montante, de US$ 4,8 bilhões é destinada à linha de bioprodutos, incluindo US$ 2,2 bilhões para etanol, US$ 1,5 bilhão para biorrefino e US$ 1,1 bilhão para biodiesel e biometano. Para a mitigação de emissões operacionais (Escopos 1 e 2), a empresa reservou US$ 4,3 bilhões.

Prazos e refinarias 100% dedicadas

A estratégia industrial da estatal prevê a transição rápida do atual modelo de coprocessamento (mistura fóssil e renovável) para instalações exclusivas. O diretor confirmou o avanço físico desses projetos, listados abaixo, e o destino estratégico das novas plantas,

Combustível Sustentável de Aviação (SAF)

Co-processamento:

  • Reduc – Primeiro SAF produzido na América Latina com certificação Internacional Corsia desde 2025.
  • Revap – Implantado e em processo de implantação.
  • Regap – Implantado e em processo de implantação.
  • Replan – Implantação até dezembro de 2026.

Plantas dedicadas (SAF e diesel verde):

  • RPBC HEFA (2030) – Capacidade de 16 Mbpd, em implantação e com decisão final de investimento (FID) emitida.
  • Boaventura HEFA (2031+) – Capacidade de 19 Mbpd e em desenvolvimento.
  • Replan ATJ (2031+) – Capacidade de 10 Mbpd e em desenvolvimento.

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