Revista Brasil Energia | ROG.e 2026

Gashub amplia liquidez no mercado livre e reduz spread do gás

Antônio Quirino analisa o crescimento dos contratos spot, a padronização das transações e a evolução de maturidade da cadeia de gás natural no Brasil

Por Rosely Maximo

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O mercado livre de gás natural no Brasil tem registrado uma rápida transformação operacional, impulsionada pelo avanço das negociações de curto prazo e pela entrada de novos comercializadores e produtores independentes. Em pouco mais de um ano de atividade, a plataforma eletrônica Gashub superou a marca de 700 milhões de m³ ofertados entre ordens de compra e venda no mercado spot, reunindo mais de 30 agentes da cadeia, incluindo distribuidoras, supridores e grandes consumidores.

Em entrevista à Brasil Energia durante a ROG.e, o CEO da Gashub, Antônio Quirino, explicou que o papel central de um ambiente digital neutro é conferir transparência e previsibilidade à formação de preços (por meio de históricos e curvas forward), o que reduz a diferença (spread) entre os valores de compra e de venda. O executivo apontou ainda que os contratos de curto prazo vêm crescendo a uma taxa anual de 160% desde o marco da Nova Lei do Gás, destacando que a harmonização regulatória estadual e a coexistência com plataformas de transportadoras são fundamentais para evitar a fragmentação da liquidez no setor.

Veja os principais destaques na entrevista:

Modelo de atuação e volume negociado

A Gashub opera como um marketplace digital neutro e independente, sem atuar como contraparte comercial nas operações. Desde o lançamento, ultrapassou 700 milhões de m³ ofertados e reúne mais de 30 agentes cadastrados de diversos perfis em transações prioritariamente de curto prazo (spot).

Transparência de preços e compressão do spread

Em mercados concentrados e sem visibilidade pública de preços, a margem de negociação entre compra e venda tende a ser ampla e ineficiente. A digitalização do livro de ofertas e ferramentas como curvas forward trazem formação de preços mais justa e competitiva.

Salto das operações de curto prazo

Desde a sanção da Nova Lei do Gás em 2021, o número de contratos de curto prazo (com vigência inferior a um ano) cresce a uma média de 160% ao ano, sinalizando uma dinâmica comercial que vai além dos tradicionais contratos plurianuais de longo prazo.

Indicadores de liquidez (churn rate)

Embora o mercado livre nacional já alcance fatias expressivas do volume industrial em estados como São Paulo e Espírito Santo, o índice de giro do gás (churn rate) no Brasil ainda está próximo de 1, contra patamares superiores a 10 na Europa e 55 no polo Henry Hub (EUA), evidenciando o amplo potencial de expansão para a circulação da molécula entre agentes.

Harmonização regulatória e coexistência de plataformas

O avanço de iniciativas regulatórias (como o Pacto Nacional pelo Desenvolvimento do Mercado de Gás) e a padronização de contratos entre distribuidoras estaduais e transportadoras são considerados vitais para integrar o fluxo de gás entre diferentes regiões. Quirino avaliou a convivência entre a Gashub e plataformas de transportadoras (como o Portal de Oferta de Capacidade / POC) de forma complementar e positiva para a liquidez geral.

Primeiro leilão de gás da União (PPSA)

A introdução de novos modelos de oferta, como a comercialização de volumes de gás da partilha de produção pela PPSA diretamente no mercado, é avaliada como mais um vetor estrutural para ampliar a concorrência, atrair a demanda industrial e incentivar a redução de preços.

Veja a entrevista na íntegra aqui.

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