Revista Brasil Energia | ROG.e 2026

Oceânica expande operação remota e robótica em águas profundas

Bruno Freitas, gerente de Inovação da empresa, detalha o uso de satélites de baixa órbita para operar ROVs a partir de terra, o avanço de robôs magnéticos e as aplicações em descomissionamento e eólica offshore

Por Rosely Maximo

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A empresa brasileira de soluções submarinas Oceânica tem intensificado o desenvolvimento de tecnologias voltadas à redução da presença humana e da exposição ao risco em operações offshore. Com uma frota própria de 19 embarcações de apoio — em vias de incorporar a vigésima — e um expressivo parque de veículos submarinos operados remotamente (ROVs), a companhia estruturou centros operacionais em terra para pilotar robôs e gerenciar atividades críticas a quilômetros de distância do mar.

Em entrevista à Brasil Energia durante a ROG.e, o gerente de inovação da Oceânica, Bruno Freitas, explicou que a redução de latência proporcionada por satélites de baixa órbita (LEO) viabilizou o controle de ROVs de alta profundidade (classe de até 3 mil metros) a partir das bases da empresa no Rio de Janeiro e em Rio das Ostras. O executivo também destacou a introdução de robôs magnéticos (crawlers) para inspeção em cascos sob correntes marítimas adversas e a adaptação do portfólio de serviços para campanhas de descomissionamento e projetos de energia eólica offshore.

Veja os principais destaques da entrevista:

Trajetória e dimensão da frota

Fundada a partir do mergulho profissional, a empresa nacional expandiu suas operações a partir de 2010 com a aquisição de navios de apoio. Atualmente opera 19 embarcações, com a vigésima em fase de integração, cobrindo todo o escopo de inspeção, manutenção e reparo submarino (IMR) com mergulhadores e ROVs de observação e work class (para profundidades de até 3.000 metros).

Robôs magnéticos contra a perturbação da água

Para contornar a instabilidade causada por fortes correntes marinhas e movimentação das ondas, a empresa desenvolveu e adotou os robôs magnéticos (crawlers). Os equipamentos acoplam-se diretamente aos cascos de navios, plataformas e estruturas metálicas submersas, mantendo estabilidade para intervenções de alta precisão.

Operação remota a partir de bases em terra

O avanço de links de internet via satélite de baixa órbita rompeu a barreira da latência de comunicação. Com isso, os ROVs deixaram de depender obrigatoriamente de comandos a bordo e passaram a ser pilotados a partir de centros de operações remotas instalados na matriz (Barra da Tijuca, RJ) e na base de Rio das Ostras (RJ).

Desembarque de funções de planejamento

Além da teleoperação de robôs submarinos, funções técnicas e de planejamento operacional foram migradas para o ambiente remoto em terra por meio de transmissão simultânea de vídeo e dados, reduzindo o contingente embarcado em projetos-piloto.

Projetos em águas ultraprofundas

A companhia direciona suas inovações para o suporte a novas unidades produtivas da Petrobras no pré-sal e em Sergipe Águas Profundas (SEAP), incorporando soluções tecnológicas adjacentes de outros mercados para atuar em ambientes de alta criticidade.

Descomissionamento e eólica offshore

A Oceânica criou uma diretoria dedicada a energias renováveis e acompanha os debates regulatórios sobre eólica marítima no Senado. Em descomissionamento de campos maduros, sobretudo no Nordeste, a estratégia prevê o emprego de embarcações menores e 100% remotas para reconhecimento geofísico inicial (survey) e mapeamento de leito marinho em campanhas de abandono de poços.

Veja a entrevista na íntegra aqui.

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