Revista Brasil Energia | ROG.e 2026

PAE avança em GNL de Vaca Muerta e mira flexibilidade ao Brasil

Alejandro Catalano detalha o projeto Southern Energy de liquefação flutuante, o cronograma do gasoduto em Río Negro e o papel das cargas spot no suprimento regional

Por Rosely Maximo

Compartilhe Facebook Instagram Twitter Linkedin Whatsapp

A Pan American Energy (PAE) lidera a estruturação da primeira plataforma de grande porte para exportação de gás natural liquefeito (GNL) a partir das reservas não convencionais de Vaca Muerta, na Argentina. Batizado como Southern Energy, o projeto conta com a parceria da Golar LNG, YPF, Pampa Energía e Harbour Energy, prevendo a instalação de dois navios de liquefação na costa da província de Río Negro com capacidade conjunta de até 6 milhões de toneladas anuais (cerca de 27 milhões de m³/dia de gás processado).

Em entrevista à Brasil Energia durante a ROG.e, o diretor-geral da PAE no Brasil, Alejandro Catalano, confirmou que o primeiro navio liquefator entrará em operação comercial em 2027, com a maior parte do volume inicial (2 milhões de toneladas/ano) já contratada pela europeia SEFE. O executivo apontou que o projeto demandará um gasoduto dedicado de 500 km interligando a Bacia Neuquina ao litoral e destacou que as rotas marítimas e dutoviárias são complementares, ressaltando o potencial do GNL argentino para fornecer flexibilidade e segurança energética ao Brasil por meio de operações de curto prazo (spot).

Veja os principais destaques da entrevista:

Perfil corporativo da PAE

Segunda maior produtora de petróleo e gás da Argentina, a companhia atua de forma integrada em exploração, refino, transporte e geração elétrica em seis países. Sua produção consolidada alcança quase 240 mil barris equivalentes diários (divididos igualmente entre óleo e gás) e reservas certificadas superiores a 2,4 bilhões de boe, com presença em oito blocos na formação de Vaca Muerta.

Estrutura do consórcio Southern Energy

O empreendimento de GNL é desenvolvido pela PAE em sociedade com a Golar LNG (fornecedora dos navios), YPF, Pampa Energía e Harbour Energy. O complexo funcionará por meio de duas unidades flutuantes de liquefação (FLNG):

  • Primeira fase (2027): Unidade com capacidade de 2,4 milhões de toneladas/ano (já com 80% do volume comercializado para a trading SEFE).
  • Segunda fase (2028): Conversão de uma segunda embarcação com avanço físico de 70%, totalizando capacidade combinada de até 6 milhões de toneladas/ano.

Investimentos e gasoduto dedicado

O projeto completo envolverá aportes em upstream (cerca de US$ 6 bilhões na Bacia Neuquina), na contratação e infraestrutura naval (US$ 15 bilhões) e na construção de um gasoduto dedicado de 500 km e 36 polegadas de diâmetro (orçado em US$ 1,3 bilhão) entre Neuquén e o litoral de Río Negro.

Complementaridade logística e atendimento ao Brasil

Catalano defendeu que todas as alternativas de transporte devem coexistir para integrar a oferta regional: a malha existente de dutos via Bolívia/Corumbá, a interconexão por Uruguaiana e os terminais brasileiros de regaseificação (como o TGS, em Santa Catarina).

Oferta spot e modulação hidrelétrica

Diante do perfil do mercado brasileiro — caracterizado pelo consumo termelétrico flexível em períodos de escassez hídrica —, o executivo apontou que o GNL argentino tem condições favoráveis de atender a demandas sazonais por meio de contratos spot, servindo de colchão de segurança energética.

Superávit comercial e impacto socioeconômico

O avanço na exploração dos 300 TCF (8,5 trilhões de m³) de gás não convencional de Vaca Muerta reverteu a balança energética argentina, que registra superávit de US$ 6 bilhões. A interiorização dos investimentos de transporte até a Patagônia tem gerado dinamismo regional em infraestrutura, serviços e novos polos de emprego.

Veja a entrevista na íntegra aqui.

Veja outras notícias sobre rog.e 2026

Últimas