Revista Brasil Energia | ROG.e 2026

Petrobras endurece conteúdo local e avalia antecipar Margem

Renata Baruzzi aborda negociações com Yinson e SBM Offshore, superação de gargalos em turbinas e diques secos, editais de Tupi e Mero e o plano de desmobilizar 18 plataformas

Por Fernanda Nunes

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A Petrobras mantém uma postura de rigor na cobrança de compromissos contratuais de conteúdo local junto aos grandes afretadores e construtores de plataformas marítimas. O posicionamento foi reiterado pela diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação da estatal, Renata Baruzzi, ao comentar as recentes rodadas licitatórias e negociações com fornecedores internacionais para os novos projetos de produção offshore da companhia.

Em entrevista à Brasil Energia durante a ROG.e, a executiva detalhou a validação da proposta da Yinson para o FPSO de Albacora sob compromisso firme de 20% de conteúdo nacional e as tratativas com a SBM Offshore para a fabricação de módulos no país. Baruzzi também analisou os gargalos de fornecimento global de turbinas e a carência de diques secos no Brasil, antecipou os planos de unitização para a revitalização de Tupi com unidade própria (EPC), avaliou modelos para antecipar em até dois anos o primeiro óleo na Margem Equatorial e detalhou a estratégia de priorizar o acostamento temporário de 18 plataformas para estancar custos de manutenção no mar.

Veja os principais destaques da entrevista:

Aproximação com a cadeia e rodadas com fornecedores

A diretoria de Engenharia ampliou eventos de transparência da carteira de projetos iniciados em 2024 para atrair concorrentes e estimular consórcios entre multinacionais vencedoras e a indústria nacional. Como reflexo, a licitação do FPSO de Albacora atraiu cinco propostas concorrentes, além do avanço em contratos de downstream (Boaventura, Rnest, UFN3 e BioQAv em Cubatão).

Cobrança de conteúdo local (Yinson e SBM)

A proposta da Yinson para Albacora foi validada e segue para negociação direta de preço após a empresa formalizar compromisso de entrega dos 20% de conteúdo local exigidos. Já em relação aos projetos com a SBM Offshore (cujos cascos serão construídos no estaleiro Cosco, na China), a estatal rejeitou a primeira proposta e cobra o cumprimento do escopo de montagem de cinco a sete módulos no Brasil, avaliando medidas administrativas caso não haja consenso.

Gargalos de turbinas e diques secos

Diante da concorrência com grandes data centers mundiais por turbinas a gás, a Petrobras ampliou a base de fornecedores homologados para além de Siemens e GE, qualificando a chinesa Harbin (GH) e a norte-americana Solar Turbines (admitidas nos certames de Búzios 12 e Albacora). Na infraestrutura naval interna, a restrição de diques secos de grande porte para cascos permanece concentrada no Estaleiro Rio Grande, com o Inhaúma desativado e o Estaleiro Atlântico Sul (EAS) ainda ausente das disputas.

Projetos de Tupi e Extensão de Mero

A licitação do novo FPSO para revitalização de Tupi depende da conclusão da unitização da área para estender a concessão, sendo projetado como unidade própria em modelo EPC com projeto de engenharia replicante (o que antecipa o cronograma em mais de um ano). Já a Extensão de Mero depende do aval final de um dos parceiros do consórcio e tende a adotar o modelo BOT (Build-Operate-Transfer).

Engenharia e antecipação na Margem Equatorial

A fase de engenharia básica dos sistemas de produção definitivos deve começar em 2028, após a perfuração de poços adicionais de delimitação da descoberta de óleo leve. Inspirada na experiência acelerada da Guiana e no modelo do FPSO Pioneiro de Libra, a Petrobras estuda sistemas de produção antecipada (SPA) para obter o primeiro óleo cerca de quatro anos após a declaração de comercialidade, encurtando o prazo tradicional em dois anos. A diretoria informou não haver conversas para abertura de participação no bloco FZA-M-59.

Cronograma de descomissionamento e tancagem da P-47

A petroleira planeja descomissionar 18 unidades no quinquênio. A prioridade imediata é a desconexão e atracação portuária de plataformas inativas (como P-35, P-37 e Cidade de Anchieta, além das licitações de P-18 e P-20) para eliminar custos recorrentes com logística de tripulação, helicópteros e embarcações no mar. No caso do FSO P-47, avalia-se a destinação do navio para estocagem e fracionamento de cargas de petróleo da Petrobras para clientes na Ásia a partir de Singapura.

Veja a entrevista na íntegra aqui.

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