Petrobras estuda nova chamada de propostas de biometano

Revista Brasil Energia | ROG.e 2026

Petrobras estuda nova chamada de propostas de biometano

Apesar de encarar novo mercado com otimismo, estatal enxerga desafios na logística, competitividade e regulamentação

Por Isa Morena

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Painel da ROG.e debateu os caminhos para expansão e competitividade do biometano no Brasil (Foto: Isa Morena)

Quase dois anos após a primeira chamada de aquisição de biometano, a Petrobras se prepara para uma nova rodada. O Coordenador de Assuntos Regulatórios da estatal, Rodrigo Hervé, afirmou que a próxima chamada tem visão de longo prazo, com diferentes formas de entrada no mercado. A afirmação foi feita no painel Biometano no Brasil: Caminhos para a expansão e competitividade, na ROG.e 2026.

Segundo Hervé, a Petrobras está otimista com o biometano e acredita que a lei do Combustível do futuro trouxe oportunidades de alavancar a produção do gás. A regulação prevê que produtores e importadores de gás fóssil, como a estatal, devem cumprir metas de consumo de biometano. No teto, ao menos 10% do gás consumido no país deve ser renovável.

“A Petrobras entende que ela vai precisar investir em biocombustíveis, em renováveis, em biometano também. A gente é importador de gás natural e o biometano vem para ajudar. O biometano vai ser importante também para a integração da cadeia”.

O coordenador aponta ainda que a Petrobras estuda oportunidades constantemente e pode se tornar também produtora, em parceria com outros fornecedores.

Outro aspecto importante da lei mencionado por Hervé foi a criação do Certificado de Garantia de Origem do Biometano, o CGOB. O coordenador descreve o certificado como um instrumento importante para a solidificação do mercado de biometano. Ele aponta que o CGOB ajuda a reduzir custos logísticos e facilita a escala de mercado, já que funciona em uma lógica Book & Claim, quando uma empresa compensa o uso de combustíveis fósseis com a compra de um certificado que garante a injeção de sustentáveis em uma rede mais próxima do local de produção.

Entretanto, Hervé alerta que, conforme a comercialização aumentar, em vista do crescimento do mandato, a molécula física precisa começar a ser entregue em maior escala. Com isso, investimentos em logística vão se tornar cada vez mais necessários.

“À medida que crescer, você vai precisar transportar esse gás de qualquer forma e com o tempo a gente precisa fazer esses investimentos. Nossa malha principal está no litoral e esses produtores estão espalhados pelo país, muitos no interior.”

Hervé atenta ainda para a competitividade da molécula, afirmando que o crescimento da escala deve ser acompanhado de preços menores, evitando que outros biocombustíveis tomem para si o mercado em potencial. Para ele, isso pode fazer com que o biometano fique competitivo por si só, sem a dependência do mandato.

A indefinição regulatória também preocupa a Petrobras. A lei previa que o programa tivesse início este ano, com uma meta inicial em 0,5%. Entretanto, há três meses do fim do ano, o primeiro CGOB ainda não foi emitido.

No início de setembro, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) publicou dois informes técnicos sobre o certificado, estabelecendo os procedimentos para certificação do produtor e importador de biometano e estabelecendo os procedimentos para emissão do CGOB, como a abertura de processo junto à ANP e documentação necessária. 

“A ANP tem um grande desafio de operacionalizar o certificado. Nós não sabemos a oferta ainda. Qual é a quantidade de CGOBs que estará no mercado em 2026? Não sabemos.”

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