Revista Brasil Energia | ROG.e 2026

Petrobras foca em autossuficiência de diesel e novas biorrefinarias

William França detalha o cronograma do Trem 2 da Rnest, o avanço em fertilizantes e bioquerosene (SAF) e a previsão de maior Capex para refino no plano de negócios

Por Rosely Maximo

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A Petrobras estruturou sua estratégia de refino e processos industriais para alcançar entre 90% e 95% de autossuficiência no suprimento nacional de óleo diesel S10 até o início da próxima década. A carteira corporativa prevê um incremento de 320 mil barris por dia na capacidade de processamento, priorizando projetos do tipo brownfield (unidades remanescentes) e sucessivas modernizações (revamps) em refinarias em operação, descartando a construção de refinarias convencionais do zero (greenfield).

Em entrevista à Brasil Energia durante a ROG.e, o diretor de Processos Industriais e Produtos da Petrobras, William França, destacou a entrada em operação da nova destilação atmosférica da Rnest (PE) em março de 2027 e a conclusão integral do Trem 2 até o fim de 2028. O executivo detalhou o início das obras de hidrocarbonetos e lubrificantes no Complexo Boaventura (RJ), os investimentos em biorrefinarias de SAF/HVO (em Cubatão, Boaventura e Refinaria Riograndense), a retomada da produção de fertilizantes nitrogenados na Ansa e UFN-3 e a perspectiva de aumento de Capex para o downstream no próximo plano de negócios.

Veja os principais destaques da entrevista:

Meta de autossuficiência em diesel S10

A companhia projeta adicionar 320 mil barris diários de capacidade através de obras em ativos remanescentes e revamps nas plantas existentes. O avanço elevará o atendimento do mercado interno para um patamar de 90% a 95% até 2030, reduzindo a evasão de divisas com importações de derivados acabados.

Cronograma do Trem 2 da Rnest

A refinaria em Pernambuco — que tem 70% de seu rendimento voltado ao diesel — entregará a nova unidade de destilação atmosférica em março de 2027, elevando a capacidade de 130 mil para 200 mil barris/dia (sendo 140 mil bpd de diesel S10). A conclusão total do Trem 2 está prevista para o final de 2028, alcançando 260 mil barris/dia com a entrada das unidades de coqueamento e hidrotratamento (HDT).

Obras no Complexo Boaventura (Itaboraí)

As obras civis foram iniciadas para colocar em operação, entre o final de 2028 e 2029, a unidade de hidrocraqueamento e plantas auxiliares. O complexo produzirá entre 60 mil e 70 mil barris/dia de diesel e lubrificantes hidrogenados do Grupo II, substituindo importações e modernizando a linha da Reduc. A estatal estuda ainda a viabilidade de ativar no futuro uma unidade de destilação de petróleo de 150 mil barris/dia no local.

Rede de biorrefinarias (SAF e HVO):

  • RPBC (Cubatão): Contratos assinados para iniciar as obras da unidade dedicada à rota HEFA, com capacidade entre 15 mil e 20 mil barris/dia de SAF e diesel verde (HVO) até o final de 2028.
  • Boaventura e Riograndense: Estudos avançados para uma planta HEFA em Itaboraí e projeto na Refinaria Riograndense (RS) voltado a processar de 70% a 80% de óleo de milho para exportar 90% da produção de SAF à Europa.
  • Rota ATJ (Replan): Desenvolvimento de tecnologia de conversão de etanol em querosene sustentável de aviação (Alcohol-to-Jet), com perspectiva de operação no início da década de 2030.

Retomada da cadeia de fertilizantes e gás químico

Diante de um déficit nacional de 7 milhões de toneladas de ureia por ano, a Petrobras retomou a gestão das Fafens na Bahia e em Sergipe, prepara a reativação da Ansa (PR) para o fim deste ano e deu início à mobilização das obras da UFN-3 (MS) para operar em 2029, com produção diária de 3,6 mil toneladas de ureia. A estatal avalia estudos para plantas de fertilizantes baseadas na gaseificação de coque de petróleo e projetos de amônia e ureia verdes a partir de hidrogênio renovável.

Descarbonização das refinarias e eletrificação

A petroleira planeja implantar usinas solares fotovoltaicas em ao menos cinco refinarias (já em andamento na Regap e Replan), além de avançar na eletrificação de turbocompressores e estudar o emprego futuro de pequenos reatores nucleares (SMRs) para geração de vapor de baixo carbono em processos industriais.

Qualificação de mão de obra e ampliação de Capex

A companhia apoia a criação de centros de qualificação profissional dentro das refinarias — como o polo montado na Rnest para mecânicos, caldeireiros e instrumentistas locais. França confirmou que a carteira de projetos de transição, agregação de valor e expansão do refino demandará um acréscimo de orçamento no próximo plano de investimentos corporativo.

Veja a entrevista na íntegra aqui.

 

 

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