Revista Brasil Energia | ROG.e 2026

Siemens acelera gêmeos digitais e descarbonização industrial

Pablo Fava detalha investimentos bilionários em IA e software, a parceria com a Shell em hidrogênio verde e as oportunidades em fertilizantes e plataformas offshore

Por Gilberto Lima

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A Siemens intensificou sua estratégia de fornecimento tecnológico focada em digitalização, automação e eletrificação de processos industriais, com ênfase na integração de dados e gêmeos digitais (digital twins). Presente há 120 anos no Brasil, a multinacional aporta anualmente entre 5 bilhões e 6 bilhões de euros em pesquisa e desenvolvimento, complementando suas inovações orgânicas com aquisições de empresas especializadas em inteligência artificial e modelagem física avançada, como a Altair.

Em entrevista à Brasil Energia durante a ROG.e, o CEO da Siemens no Brasil, Pablo Fava, explicou que os gêmeos digitais reduzem prazos e custos ao simular a física completa de sistemas industriais antes de sua implantação. O executivo destacou oportunidades de atuação em novos investimentos (Capex) e na eficiência de ativos em operação (Opex), ressaltando a relevância do mercado brasileiro de exploração offshore em águas profundas, o acordo de cooperação global com a Shell voltado à descarbonização e ao hidrogênio verde, e o potencial estratégico de expansão na cadeia nacional de fertilizantes.

Veja os principais destaques da entrevista:

Transição para empresa de tecnologia e digitalização

Fava explicou que a atuação da Siemens evoluiu do fornecimento isolado de equipamentos metalmecânicos para uma plataforma de soluções tecnológicas integradas. A estratégia unifica eletrificação, automação e inteligência de dados desde a engenharia básica até o descomissionamento de ativos.

Gêmeos digitais e inteligência artificial generativa

A empresa consolida o uso de gêmeos digitais para representar com exatidão matemática modelos físicos complexos, acelerando simulações de comportamento de plantas industriais e plataformas offshore. Com a aquisição de companhias como Altair e Dotmatics, a IA generativa passa a ser empregada para projetar formatos estruturais inovadores e encurtar ciclos de desenvolvimento que antes demandavam até uma década.

Oportunidades em Capex e Opex

No mercado de óleo e gás, a Siemens posiciona-se tanto para fornecer pacotes tecnológicos a novos projetos e FPSOs (envolvendo cadeias globais de suprimento no Sudeste Asiático) quanto para otimizar o Opex e a produtividade da grande base instalada em operação no país.

Redução de espaço, peso e emissões offshore

A virtualização de sistemas de controle e relés de proteção permite eliminar armários e painéis elétricos convencionais, diminuindo o peso (topside) em módulos marítimos e aliviando a pegada de carbono decorrente do consumo de ligas metálicas.

Acordo global com a Shell para hidrogênio verde

O executivo destacou a parceria internacional entre Siemens e Shell voltada a projetos de descarbonização e produção de combustíveis sustentáveis. O acordo abrange o ciclo de vida completo de plantas de hidrogênio verde, da engenharia preliminar à automação e extração de dados operacionais.

Potencial da cadeia nacional de fertilizantes

Diante da dependência brasileira da importação de insumos agrícolas (cerca de 80% a 90% do consumo), Fava apontou o segmento de fertilizantes como uma prioridade comercial no país, tanto em plantas de mistura quanto em complexos integrados de extração e produção de matérias-primas.

Estrutura regional com hub em São Paulo

O grupo mantém uma estrutura corporativa regional voltada para as Américas, integrando centros de tecnologia locais — incluindo um hub de inovação instalado em São Paulo — dedicados a customizar soluções digitais para os desafios específicos de extração e refino no Brasil.

Veja a entrevista na íntegra.

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