Revista Brasil Energia | ROG.e 2026

TBG cobra revisão tarifária e prepara inversão do Gasbol

Diretor-presidente Jorge Hijjar alerta para o declínio da produção boliviana, detalha a chegada de GNL por Santa Catarina, as rotas do gás argentino e a urgência de destravar as tarifas na ANP

Por Rosely Maximo

Compartilhe Facebook Instagram Twitter Linkedin Whatsapp

A Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG) opera atualmente com cerca de 16 milhões de m³/dia — metade da capacidade nominal de 30 milhões de m³/dia do Gasbol —, movimentando aproximadamente 8 milhões de m³/dia importados da Bolívia e volume equivalente recebido da malha da NTS em Paulínia (SP). Diante das projeções de exaustão gradual das reservas bolivianas até o fim da década, a companhia prepara adaptações físicas e operacionais em seus dutos para diversificar as fontes de suprimento da malha.

Em entrevista à Brasil Energia durante a ROG.e, o diretor-presidente da TBG, Jorge Hijjar, destacou o projeto de livre alocação que remanejará estações de compressão do trecho norte para o sul, viabilizando a inversão de fluxo a partir do terminal de GNL de Garuva (SC) rumo a São Paulo e Mato Grosso do Sul. O executivo analisou as rotas e custos para viabilizar o gás argentino de Vaca Muerta no mercado brasileiro e cobrou da ANP a dissociação da revisão tarifária da TBG em relação às disputas regulatórias de NTS e TAG, alertando para o esgotamento da conta regulatória e a defasagem na remuneração dos ativos da transportadora.

Veja os principais destaques da entrevista:

Queda do gás boliviano e ociosidade da malha

Projetado para 30 milhões de m³/dia, o Gasbol transporta cerca de 16 milhões de m³/dia, dos quais apenas 8 milhões de m³/dia têm origem na Bolívia. Com a priorização do consumo doméstico boliviano e a falta de novos investimentos locais, projeções de inteligência de mercado indicam o risco de a oferta boliviana para o Brasil chegar próxima de zero até 2030.

Inversão de fluxo e GNL em Santa Catarina

Para garantir o atendimento a térmicas vencedoras dos leilões de reserva de capacidade (LRCAP) e flexibilizar o sistema, a TBG se prepara para receber até 15 milhões de m³/dia de GNL regaseificado pelo Terminal Gás Sul (TGS) em Garuva (SC). Por meio do remanejamento de duas estações de compressão para o sul (projeto de livre alocação), o gás importado poderá subir em fluxo invertido até São Paulo e alcançar Mato Grosso do Sul (até 9 milhões de m³/dia).

Capacidade de interconexão em Paulínia

O ponto de recebimento de gás nacional da NTS opera atualmente com cerca de 13 milhões de m³/dia. Obras de ampliação da primeira fase elevarão a capacidade a 15 milhões de m³/dia, havendo potencial físico para atingir 25 milhões de m³/dia, dependente de reforços adicionais na malha da NTS em análise na ANP.

Rotas de importação de Vaca Muerta – Hijjar avaliou as alternativas para o gás não convencional da Argentina:

  • Rota Bolívia/Corumbá: Tecnicamente viável e com baixo custo de adaptação no lado brasileiro, aproveitando a capacidade ociosa do Gasbol, embora demande reforços no norte argentino.
  • Rota Uruguaiana/Porto Alegre: Exige a construção de 550 km de gasoduto no Rio Grande do Sul e obras de expansão na malha telescópica da TBG (de menor diâmetro, entre 24 e 16 polegadas) para bombear o gás até São Paulo via dutos paralelos (loopings).
  • Rota via GNL: Liquefação na costa atlântica argentina para descarregamento em navios nos terminais brasileiros, modalidade que compete no mercado internacional e encurta custos logísticos em relação aos destinos na Europa ou Ásia.

Potencial de exportação reversa para a Bolívia

Caso o país vizinho não recomponha suas reservas, a infraestrutura amortizada do Gasbol poderá ser utilizada no sentido inverso para exportar gás brasileiro (do pré-sal, Sergipe ou Raia) ou argentino para o mercado boliviano.

Revisão tarifária defasada e conta regulatória

O executivo cobrou da ANP que a revisão tarifária da TBG seja tratada de forma separada das transportadoras NTS e TAG. A base de remuneração de ativos (BRA) da TBG já está pactuada desde 2019, mas a tarifa permanece congelada em patamares desfavoráveis desde 2024 devido à devolução abrupta do saldo da conta regulatória, que se esgotou e deve passar a apresentar déficit, onerando a saúde financeira da transportadora.

Veja a entrevista na íntegra aqui.

Veja outras notícias sobre rog.e 2026

Últimas