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Alta do Brent traz risco de impacto na conta de luz, diz Thymos

Os impactos da elevação dos preços do petróleo na CCC e no CVU das termelétricas são pontos de atenção, diz a consultoria

Por Eugenio Melloni

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Ana Paula Ferme: com combustíveis mais caros, UTEs ficam mais onerosas para o sistema elétrico (Foto: Tauan Alencar/MME)

A alta recente nos preços internacionais do petróleo e do gás natural poderá pressionar custos de geração de energia, proporcionando efeitos que tendem a chegar ao bolso do consumidor, de acordo com a análise da Thymos Energia. Um dos principais fatores que poderão levar a esses efeitos é o aumento da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), que subsidia a geração de energia em sistemas isolados, especialmente na região Norte. 

Durante a guerra na Ucrânia, em 2022, o petróleo Brent chegou a superar o patamar de US$ 139 por barril. No mesmo período, a CCC registrou um crescimento de 41% em relação ao ano anterior, impulsionada pela alta dos combustíveis fósseis. 

Atualmente, com a nova escalada no Oriente Médio, o Brent voltou a superar a marca dos US$ 100 por barril, atingindo US$ 109,27 em 7 de abril, o que reacende o alerta para a pressão sobre esse encargo.

A tendência, segundo a consultoria, é que um novo ciclo de elevação desses preços volte a impactar significativamente a conta de energia elétrica. Isso se torna ainda mais relevante pelo fato de que, diferentemente de outros subsídios, a CCC não tem um teto definido em lei, o que significa que todo aumento é integralmente repassado ao consumidor por meio da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).

Outro ponto de atenção é o aumento do Custo Variável Unitário (CVU) das termelétricas, que dependem de combustíveis fósseis. “A partir do momento que os combustíveis ficam mais caros, essas usinas tornam-se mais onerosas para o sistema elétrico”, avalia Ana Paula Ferme, head de Utilities e Regulação Econômica na Thymos.

Neste mês de abril tem início o período seco no país, com menos incidências de chuva. Em um cenário hidrológico mais restritivo, o efeito do aumento do CVU pode ser ainda mais intenso, já que a menor disponibilidade hídrica tende a ampliar o despacho térmico justamente em um contexto de combustíveis mais caros. 

A consequência, segundo Ana Paula, é a elevação do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), referência do mercado de curto prazo de energia, com potencial de pressionar ainda mais o custo da energia no país.

A especialista explica que esse movimento impacta ainda despesas setoriais, como o Encargo de Serviços do Sistema (ESS), utilizado para cobrir custos adicionais de operação. “Como esses valores são repassados pelas distribuidoras, há efeito direto nas tarifas de energia pagas pelos consumidores”, diz a executiva da Thymos Energia.

Além disso, contratos de compra de energia das distribuidoras podem sofrer reajustes em função do aumento do PLD e do custo térmico, pressionando ainda mais as tarifas. 

Os efeitos, contudo, não devem ser percebidos de forma homogênea nem simultânea. A elevação do PLD e de encargos associado à operação do sistema, como o ESS, pode ser sentida de forma mais imediata.

Já os impactos sobre a CCC e parte do contrato das distribuidoras caminham para se materializarem posteriormente, sendo notados de forma mais intensa nos ciclos tarifários seguintes. 

Caso a crise se intensifique e haja revisão do orçamento da CDE no decorrer de 2026, as consequências podem afetar os consumidores ainda este ano. “Os desdobramentos podem não se limitar ao setor elétrico. O encarecimento da energia tende a pressionar a inflação e afetar a competitividade da economia brasileira como um todo”, conclui.

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