Honeywell vê ethanol-to-jet ganhar espaço no SAF brasileiro
Oferta de etanol favorece rota, enquanto disputa por óleos e gorduras pode limitar expansão do HEFA
A ampla oferta de etanol e a cadeia já consolidada do biocombustível no Brasil devem favorecer o avanço do ethanol-to-jet (ETJ) como uma das rotas mais promissoras para a próxima etapa da produção de combustível sustentável de aviação (SAF) no país. A avaliação é de José Magalhães Fernandes, presidente e CEO da Honeywell para a América Latina, que vê a tecnologia ganhando espaço à medida que a disponibilidade, o preço e a disputa por óleos vegetais e gorduras animais impõem limites à expansão da rota HEFA.
Para Fernandes, isso ocorre porque o Brasil já dispõe de um ecossistema robusto de biocombustíveis, com tecnologia, conhecimento e fornecedores. A Honeywell licencia tecnologias e know-how para conversão das diferentes matérias-primas em combustíveis avançados.
A companhia já participa de projetos nas duas rotas no Brasil. Em abril, a Petrobras selecionou a tecnologia ETJ da Honeywell UOP para o projeto em desenvolvimento na Replan, em Paulínia (SP), que, se aprovado, poderá produzir até 10 mil barris/dia de SAF e será o primeiro empreendimento de ETJ em grande escala da América Latina.
No ETJ, o etanol — que pode ser produzido de cana, milho e outras biomassas — passa por etapas de conversão catalítica até chegar aos hidrocarbonetos utilizados na produção do combustível de aviação. O CEO aponta entre as vantagens da tecnologia o elevado rendimento em SAF, possibilidade de produção em escala e aproveitamento de cadeias de suprimento de etanol já existentes.
A Petrobras também avança com a rota HEFA na Refinaria Presidente Bernardes (RPBC), em Cubatão (SP). A estatal aprovou em junho a decisão final de investimento de US$ 1,2 bilhão para uma planta dedicada de SAF e diesel renovável, com capacidade de até 15 mil barris/dia e entrada em operação prevista para 2030. A tecnologia HEFA processa matérias-primas como óleos e gorduras.
A Honeywell fornece ainda sua tecnologia Ecofining, baseada nessa rota, para a Acelen Renováveis, que prevê produzir SAF e diesel renovável na Bahia utilizando, entre outras matérias-primas, óleo de macaúba. A solução será integrada a sistemas de automação e controle também fornecidos pela companhia.
Apesar da aposta no ETJ, Fernandes afirmou que não haverá uma “bala de prata”. Segundo ele, o HEFA é hoje mais competitivo em custo, seguido pelo ETJ, enquanto alternativas como e-metanol e Fischer-Tropsch permanecem mais caras.
A Honeywell possui soluções para essas diferentes cadeias. O eFining converte e-metanol em eSAF, enquanto o FT Unicracking transforma líquidos e ceras obtidos pelo processo Fischer-Tropsch em combustível sustentável de aviação.
A escolha da rota, segundo Fernandes, dependerá da disponibilidade regional de matéria-prima e das características de cada projeto. Com plantas que podem superar US$ 1 bilhão, ele considera ainda fundamental combinar tecnologia de processo e automação para aumentar rendimento e disponibilidade dos ativos e reduzir custos, combinação que vê como vantagem competitiva para o avanço do SAF no país.
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