Abegás defende gás mais competitivo para estimular consumo no Brasil
Diretor Econômico e Regulatório da associação, Marcos Lopomo, defende aumento da oferta, revisão tarifária do transporte e políticas para o transporte pesado para ampliar a demanda por gás natural
O avanço da revisão tarifária das transportadoras, a entrada de novos volumes de gás natural no mercado e a necessidade de tornar o energético mais competitivo estiveram entre os principais temas da entrevista de Marcos Lopomo, diretor Econômico e Regulatório da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), durante o Sergipe Oil & Gas 2026.
Na conversa com a Brasil Energia, Lopomo avaliou o andamento da revisão tarifária do transporte de gás, defendeu um modelo que evite dupla remuneração dos ativos e afirmou que o aumento da oferta previsto para os próximos anos pode contribuir para reduzir preços e estimular o consumo industrial. O executivo também destacou o potencial do mercado de transporte pesado a gás e biometano e a importância de políticas públicas para acelerar sua expansão.
Veja os principais destaques:
Revisão tarifária busca maior equilíbrio
Segundo Lopomo, a Abegás acompanha a revisão tarifária das transportadoras no âmbito do Conselho de Usuários (CdU) e considera positivo o desmembramento do processo realizado pela ANP, que permitiu aprofundar as discussões técnicas. Na avaliação da associação, o principal objetivo da revisão deve ser evitar a dupla remuneração dos ativos, preservando a justiça tarifária e contribuindo para um modelo regulatório mais equilibrado para o segmento de transporte.
Maior oferta pode reduzir preços
Para a Abegás, a entrada dos novos volumes de gás provenientes de Sergipe Águas Profundas e de outros projetos representa uma oportunidade para ampliar a competitividade do mercado. Lopomo afirmou que um aumento da oferta tende a pressionar os preços para baixo e favorecer o crescimento da demanda, especialmente no segmento industrial. Também citou o potencial da Margem Equatorial para reforçar a oferta nacional nos próximos anos.
Associação defende preços mais aderentes ao mercado brasileiro
O executivo afirmou que o Brasil já produz volumes expressivos de gás natural, mas ainda precisa criar condições para que essa produção chegue ao mercado com preços mais competitivos. Segundo ele, a desvinculação parcial das referências internacionais e uma precificação mais alinhada aos custos nacionais poderiam estimular uma nova expansão do consumo industrial, beneficiando toda a cadeia de infraestrutura do gás.
Transporte pesado concentra oportunidade de expansão
Lopomo destacou o transporte rodoviário pesado como um dos mercados com maior potencial de crescimento para o gás natural. Atualmente, o Brasil importa cerca de 20% do diesel consumido, enquanto a infraestrutura para abastecimento de caminhões a gás continua em expansão. Segundo ele, o país já conta com cerca de 157 postos preparados para esse mercado, além de montadoras e fabricantes de motores oferecendo veículos movidos a gás natural. Na avaliação da associação, a substituição parcial do diesel importado poderia ampliar significativamente o consumo de gás natural e gerar benefícios econômicos e ambientais.
Biometano amplia vantagens para a logística
Além do gás natural, Lopomo destacou o papel do biometano na descarbonização do transporte de cargas. Segundo ele, o combustível pode ser distribuído utilizando a infraestrutura existente e permitir reduções superiores a 80% nas emissões em comparação com o diesel, contribuindo para que indústrias reduzam a pegada de carbono de suas operações logísticas e atendam às exigências de mercados consumidores.
Expectativa para negociações com fornecedores
Sobre a revisão trimestral dos contratos de fornecimento de gás, prevista para agosto, o diretor da Abegás afirmou que as negociações com a Petrobras estão avançadas e que a associação também acompanha as discussões com outros supridores. Segundo Lopomo, o momento geopolítico reforça a necessidade de o Brasil aproveitar sua própria produção de gás para aumentar a segurança energética e reduzir a exposição às oscilações do mercado internacional.
Assista a entrevista na íntegra aqui.
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