Carmo prepara nova expansão em Carmópolis com foco em infraestrutura
Companhia pretende elevar a produção para 20 mil barris por dia em 2027 e amplia investimentos para fortalecer a infraestrutura do Polo Carmópolis
A Carmo Energy prepara um novo ciclo de expansão no Polo Carmópolis, em Sergipe, depois de praticamente quadruplicar sua produção desde que assumiu a operação dos ativos adquiridos da Petrobras.
A empresa pretende elevar a produção dos atuais 13 mil barris de óleo equivalente por dia para 15 mil barris ainda este ano e alcançar 20 mil barris em 2027, apoiada por um programa de investimentos que poderá chegar a R$ 16 bilhões nos próximos anos.
Em entrevista à Brasil Energia durante o Sergipe Óleo & Gás 2026, o diretor-geral da companhia no Brasil, Rodrigo Moreto, afirmou que, após uma primeira etapa focada na retomada da produção, a prioridade agora é ampliar a infraestrutura de superfície, preparar o aproveitamento do gás natural e consolidar a presença da empresa no estado.
Principais destaques
Evolução da produção e perfuração de poços: Moreto lembrou que a Carmo Energy assumiu o Polo Carmópolis no final de 2022, quando a produção havia caído para cerca de 3,5 mil barris de óleo equivalente por dia após um período de hibernação dos ativos. Segundo ele, a produção já alcançou aproximadamente 13 mil barris diários, configurando uma das maiores curvas de crescimento entre as operadoras independentes em campos terrestres no Brasil. O executivo destacou ainda que, em 2025, a empresa foi a operadora que mais perfurou poços no Nordeste, com 153 perfurações, número superior ao conjunto das demais independentes da região.
Nova etapa prioriza infraestrutura: Depois do esforço concentrado para recuperar a produção, a companhia passa agora a direcionar investimentos para infraestrutura de superfície. Segundo Moreto, o foco está na ampliação da capacidade de tratamento de fluidos, escoamento da produção, movimentação de água produzida e modernização da infraestrutura logística, fatores considerados essenciais para sustentar o crescimento da produção nos próximos anos.
Reservas garantem longo horizonte de produção: O diretor informou que a Carmo adquiriu 11 concessões no Polo Carmópolis, todas com vigência até 2052. Recentemente, segundo ele, as reservas foram recertificadas e hoje somam cerca de 200 milhões de barris, volume que garante potencial produtivo muito além do prazo atual das concessões. A aquisição incluiu também o Terminal de Carmópolis (Tecarmo), responsável pelo armazenamento e escoamento da produção por meio de monoboia localizada a aproximadamente 5 km da costa sergipana. Hoje, praticamente toda a produção é exportada, principalmente para o mercado europeu.
Gás começa a ganhar espaço na estratégia Embora o foco atual permaneça na produção de petróleo, Moreto afirmou que o gás natural deverá ganhar importância nos próximos anos. Ele explicou que a produção de gás ainda é pequena e exige investimentos em especificação e tratamento para atender às exigências comerciais. Segundo o executivo, empresas da região já demonstraram interesse em adquirir esse gás, mas a prioridade é primeiro consolidar a infraestrutura do polo para, posteriormente, disponibilizar o produto ao mercado local.
Novas aquisições continuam no radar: Questionado sobre novas operações de M&A, farm-in e farm-out, Moreto afirmou que esse tipo de movimentação faz parte da dinâmica natural dos campos maduros. Segundo ele, a companhia avalia permanentemente oportunidades de aquisição de ativos, parcerias e participação em novos projetos, embora não exista atualmente nenhuma negociação de grande porte em andamento. O executivo acrescentou que futuras oportunidades poderão envolver tanto áreas vizinhas ao Polo Carmópolis quanto ativos disponibilizados pela Oferta Permanente da ANP, desde que estejam alinhados à estratégia da companhia.
Impacto econômico vai além da produção: Moreto ressaltou o peso da Carmo Energy na economia sergipana. Segundo ele, a empresa mantém mais de 4 mil empregos diretos e indiretos, dos quais cerca de 80% são ocupados por trabalhadores locais. O executivo destacou ainda que aproximadamente 40% da força de trabalho é feminina e que 36% dos cargos de gerência são ocupados por mulheres, percentual que a empresa pretende ampliar para 50%. Além disso, afirmou que a companhia trabalha com mais de 200 fornecedores e injeta aproximadamente R$ 40 milhões por mês na economia regional entre salários, royalties e pagamentos a proprietários de terras.
Meta é atingir 20 mil barris por dia em 2027: Segundo o diretor, a meta da empresa é alcançar 15 mil barris até o fim deste ano e 20 mil barris em 2027. Para sustentar essa expansão, a empresa pretende multiplicar os investimentos realizados desde a aquisição do polo. Após investir cerca de R$ 4 bilhões na retomada das operações, a expectativa é aplicar entre três e quatro vezes esse valor nos próximos anos, o que poderá representar investimentos da ordem de R$ 12 bilhões a R$ 16 bilhões em perfuração, dutos, estações de tratamento e infraestrutura de superfície.



