Sylvia alerta que gas release ameaça projeto SEAP
Diretora de Exploração e Produção da Petrobras afirma que mudanças nas regras de comercialização do gás podem comprometer a decisão de investimento do gasoduto de Sergipe e atrasar o primeiro óleo previsto para 2030
A diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, fez um alerta sobre os riscos que eventuais mudanças nas regras de comercialização de gás natural (gas release) representam para o projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP). Em entrevista à Brasil Energia, durante o Sergipe Óleo e Gás 2026, a executiva afirmou que a incerteza regulatória pode comprometer a aprovação do investimento no gasoduto do projeto, estimado em cerca de US$ 1 bilhão, e, consequentemente, postergar o cronograma de desenvolvimento da produção.
Segundo Sylvia, o projeto foi estruturado considerando o atual marco regulatório e depende da segurança de que os produtores poderão comercializar o gás transportado pela infraestrutura que será construída. "Quem vai investir US$ 1 bilhão em um gasoduto precisa ter a garantia de que poderá comercializar esse gás. Depois que o investimento é feito, mudar a regra do jogo coloca tudo em risco", afirmou.
Sylvia Anjos também contextualizou a política da empresa para o aumento da oferta de gás natural, os critérios técnicos que condicionam a reinjeção ou comercialização do insumo e o panorama de licenciamento ambiental para perfurações em novas fronteiras exploratórias, como a Margem Equatorial e a Bacia de Pelotas.
Veja os principais pontos da entrevista
Gas release pode comprometer investimentos: Para Sylvia Anjos, o modelo atualmente discutido para ampliar o gas release gera insegurança justamente quando a Petrobras amplia seus investimentos em oferta de gás natural. Ela argumentou que o Brasil já promoveu, nos últimos cinco anos, uma abertura significativa do mercado, reduzindo a participação da Petrobras para cerca de 60% e permitindo a entrada de dezenas de novos agentes.
Oferta de gás aumentou na atual gestão: Sylvia afirmou que ampliar a oferta de gás foi uma das primeiras determinações recebidas da presidente Magda Chambriard. Segundo ela, a Petrobras implementou mais de uma centena de melhorias operacionais, elevando a oferta de gás de cerca de 29 milhões para aproximadamente 50 milhões de metros cúbicos por dia.
Reinjeção não é solução simples: Questionada sobre a possibilidade de reduzir a reinjeção de gás no pré-sal para aumentar a oferta ao mercado, Sylvia explicou que a maior parte dos campos da Petrobras possui elevados teores de CO₂. Nesses casos, seria necessário construir unidades de processamento muito maiores para tratar o gás antes da comercialização, tornando a alternativa economicamente inviável
Margem Equatorial: Outro tema abordado foi a exploração na Margem Equatorial. Sylvia informou que a perfuração do poço de Morpho deverá atingir o reservatório nas primeiras semanas de agosto, caso não ocorram novos atrasos. Ela voltou a defender maior previsibilidade no licenciamento ambiental e afirmou que a demora reduz o ritmo de incorporação de reservas.
Perfuração na Bahia: A executiva também informou que a companhia retomará ainda este ano a perfuração de um poço exploratório terrestre na Bahia, após aproximadamente 15 anos sem realizar esse tipo de atividade no estado.
Assista à entrevista na íntegra aqui.



