Opinião

Eficiência operacional como pilar da transformação do Setor Elétrico

A transformação do setor elétrico brasileiro passa, inevitavelmente, por uma eficiência operacional cada vez mais inteligente e conectada, tornando-se um pilar essencial para viabilizar outras mudanças estruturais

Por André Nunes

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O setor de energia está passando por uma revolução global, impulsionada por macrotendências que transformam a geração, distribuição e consumo de eletricidade. No Brasil, essa mudança é igualmente significativa. Um ponto essencial a ser destacado é que as empresas brasileiras do setor estão priorizando a criação de condições operacionais para sustentar essa transformação e, no centro dessa prioridade, está a busca pela eficiência operacional.

Para alcançar esse objetivo, as empresas têm investido em iniciativas que abrangem toda a cadeia (geração, transmissão, distribuição), visando melhorar a capacidade de gerar energia, reduzir desperdícios, aprimorar a gestão de ativos e implementar soluções digitais.

Entre os principais desafios enfrentados pelo setor, observa-se a necessidade de otimizar processos de manutenção e operação com o uso de tecnologias como IoT e Inteligência Artificial, permitindo o monitoramento preditivo e a redução de falhas. 

Além disso, a redução de perdas técnicas e comerciais tem ganhado espaço com a implementação de redes inteligentes e a análise de grandes volumes de dados para identificar fraudes e minimizar desperdícios.

A integração de fontes renováveis também se apresenta como um desafio crucial, exigindo o desenvolvimento de técnicas mais avançadas para gerenciar a intermitência e o armazenamento de energia.

Paralelamente, a digitalização e a automação avançam com o uso de blockchain, machine learning e edge computing, modernizando a gestão operacional e aumentando a agilidade das operações.

Nesse cenário, empresas de inovação aberta têm desempenhado um papel estratégico ao promover programas de inovação aberta e PDI, conectando startups, grandes empresas e centros de pesquisa para criar soluções inovadoras.

Entre os resultados já alcançados, destacam-se iniciativas de manutenção preditiva em parceria com startups especializadas em análise de dados, permitindo a antecipação de falhas em subestações e redes de distribuição. 

Tecnologias baseadas em blockchain têm sido implementadas para garantir a rastreabilidade da energia renovável e facilitar contratos inteligentes. Além disso, o desenvolvimento de plataformas de eficiência energética possibilita o monitoramento do consumo em tempo real e a gestão de demanda, enquanto a pesquisa em novos modelos de negócio busca expandir a adoção da geração distribuída, especialmente com energia solar e armazenamento descentralizado.

A inteligência artificial, por sua vez, vem sendo aplicada para prever oscilações na demanda e aprimorar a estabilidade das redes elétricas.

As tecnologias mencionadas têm apresentado avanços significativos tanto no mercado brasileiro, quanto globalmente.

A Geração Distribuída de Energia Solar já representa mais de 13% da matriz elétrica brasileira e a América do Sul deve adicionar 160 GW de energia solar até 2034, com Brasil e Chile respondendo por 78% das instalações no continente. Bons exemplos de aplicação de Blockchain, a EDP Brasil  se tornou a primeira empresa do mercado a utilizar a tecnologia blockchain para a medição e registro do consumo de energia e geração distribuída provenientes dos consumidores e, num exemplo global, a Iberdrola, na Espanha, realizou um projeto-piloto utilizando blockchain para garantir, em tempo real, que a energia fornecida e consumida seja 100% verde, conectando instalações de geração com pontos de consumo e aumentando a transparência no uso de energia verde. 

A expectativa é que a inovação aberta e os projetos de PDI voltados para a eficiência operacional continuem a se expandir, posicionando o Brasil em um novo patamar de competitividade e sustentabilidade.

A transformação do setor elétrico brasileiro passa, inevitavelmente, por uma eficiência operacional cada vez mais inteligente e conectada, tornando-se um pilar essencial para viabilizar outras mudanças estruturais e impulsionar o país rumo a um futuro energético mais sustentável e inovador.
 

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