Diesel que vem da floresta: oleaginosas da Amazônia apontam caminhos para a transição energética

Revista Brasil Energia | Amazonas OGE 2026

Diesel que vem da floresta: oleaginosas apontam caminhos para a transição energética

Por Rebeca Beatriz

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Oleaginosas da Amazônia pesquisadas para produção de biodiesel (Foto: Rebeca Beatriz)

A imensidão dos mais de 550 milhões de hectares da floresta amazônica abriga a maior biodiversidade do planeta. São quilômetros de matas e terras com potenciais a serem ainda explorados.

E quando se fala em desbravar a Amazônia, fala-se de possibilidades que vão da bioeconomia à inovação energética, revelando a força estratégica da floresta para o futuro do país. A região possui um dos maiores potenciais do mundo para o desenvolvimento de soluções energéticas sustentáveis, o que abre caminhos promissores para uma transição energética baseada em recursos locais e renováveis.

O projeto ‘Aproveitamento Energético de Plantas Oleaginosas na Região Amazônica: Geração de Valor e Desenvolvimento Regional’, em exposição no Fórum ‘Amazonas Óleo, Gás e Energia’, no Centro de Convenções Vasco Vasques, em Manaus, investiga o potencial de espécies nativas para a produção de diesel verde (HVO), combustível renovável com capacidade de substituir o diesel fóssil em larga escala.

A pesquisa é realizada pela cientista da Universidade do Estado do Amazonas, em parceria com a Eneva, e aposta na riqueza da floresta como ativo energético estratégico, unindo ciência, inovação e desenvolvimento regional. O estudo consiste na análise de espécies oleaginosas da Amazônia capazes de gerar óleo vegetal com potencial energético. Ao todo, 15 plantas estão sendo estudadas, conforme destaca a pesquisadora Ana Carolina Machado.

“Nosso projeto consiste em selecionar 15 oleaginosas da região amazônica e extrair o óleo de diferentes partes desses frutos. O processo começa com a extração e análise do óleo, etapa fundamental para entender a viabilidade industrial. A nossa parte é fazer a extração e a caracterização físico-química, para revelar o perfil químico e verificar se ele é viável para a produção em escala industrial”, explica.

Realizada essa etapa, o material segue para outra fase de processamento, que é a transformação desse óleo em HVO (Hydrotreated Vegetable Oil), o diesel verde,  considerado uma alternativa promissora para a descarbonização do setor de transportes, por apresentar menor emissão de poluentes e compatibilidade com motores convencionais.

Diversidade da flora amazônica

Açaí, buriti, bacaba, patauá, pupunha, piquiá, mari-mari e caiaué, espécies tradicionais da Amazônia, estão entre as oleaginosas analisadas do ponto de vista energético. De acordo com a pesquisa, essas plantas, abundantes na região, representam uma oportunidade de transformar cadeias produtivas locais, além de agregar valor a recursos que muitas vezes são subutilizados.

Com a utilização e valorização de espécies nativas da Amazônia, o próximo passo é estimular sua utilização industrial e integrar comunidades locais ao mercado de energia, mantendo a floresta em pé.

A pesquisa mostra que a transição energética brasileira não depende apenas de grandes empreendimentos, mas de uma inovação que vem da floresta, e surge em um momento em que o mundo busca alternativas ao petróleo, colocando o Brasil em posição estratégica, com potencial de liderar o desenvolvimento de combustíveis renováveis a partir de sua própria biodiversidade.

“A ideia é entender quais dessas espécies realmente têm potencial para se tornar uma alternativa viável de produção energética em larga escala”, resume a pesquisadora.

E assim, se descobre uma Amazônia que revela não apenas frutos, sementes e saberes da floresta, mas também revela que seu futuro energético pode nascer do que sempre esteve ali. Mais do que uma alternativa ao petróleo, o diesel verde simboliza um modelo de desenvolvimento em potencial, onde ciência, natureza e inovação seguem juntas.

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