Integração energética expõe gargalos e reforça complementariedade entre fontes

Revista Brasil Energia | Ibem 2026

Integração energética expõe gargalos e reforça complementariedade entre fontes

Ibem 2026 debate entraves regulatórios, gargalos de infraestrutura e a necessidade de integração entre fontes para garantir segurança e descarbonização

Por Geraldo Bastos

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Painel "Futuro da integração entre energias: desafios e sinergias” (Foto: Divulgação)

A transição energética brasileira passa menos por disputa entre fontes e mais por coordenação entre elas. Essa foi a principal mensagem do painel “Futuro da integração entre energias: desafios e sinergias”, um dos destaques do segundo dia da International Brazil Energy Meeting (Ibem), no Centro de Convenções de Salvador.

Mediado por Thiago Ivanoski, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o debate reuniu representantes de diferentes segmentos e deixou claro que o avanço do setor depende de ajustes regulatórios, expansão de infraestrutura e maior previsibilidade para investimentos.

No campo dos combustíveis renováveis, Tiago Santovito, da Associação Brasileira do Biogás (Abiogás), destacou a virada institucional trazida pela Lei do Combustível do Futuro.  “A lei estabelece que produtores e importadores de gás natural precisam adquirir biometano com certificado de garantia de origem, o que muda muito a construção do marco regulatório do setor”, afirmou. 

Segundo ele, o instrumento traz rastreabilidade, transparência e previsibilidade ao mercado, além de comprovar a redução de emissões. “Nos próximos anos, o biometano deve ocupar um papel estratégico na matriz energética brasileira, como vetor central de descarbonização”, disse, ao lembrar que o país já conta com mais de 1.600 plantas de biogás e uma carteira crescente de projetos.

Do lado do petróleo e gás, Gabriela Bueloni, da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo (Abpip), defendeu um ambiente mais inclusivo para pequenas e médias empresas. A executiva apontou a necessidade de modernização dos marcos regulatórios, criação de legislação específica para esse perfil de companhia e ampliação do acesso à infraestrutura de distribuição. O recado é direto: sem destravar esses pontos, a integração energética tende a avançar em ritmo mais lento.

Já na geração elétrica, Alessandra Torres, da Associação Brasileira de Pequenas Centrais Hidrelétricas (Abrapch), reforçou o papel estruturante das hidrelétricas - especialmente as de menor porte - em um sistema cada vez mais diversificado. 

“A geração hidrelétrica vai muito além de energia. Ela envolve segurança energética, hídrica e até alimentar”, afirmou. Segundo ela, o licenciamento ambiental segue como um dos principais gargalos, com projetos que levam até dez anos para obter autorização. “Somos a favor do meio ambiente, mas é preciso andar. Energia elétrica é um insumo fundamental para o país”, disse.

A executiva também criticou a resistência a fontes como hidrelétrica e nuclear e chamou atenção para entraves estruturais, como o escoamento da energia e o acesso a financiamento. “Essas fontes não competem entre si, elas são complementares”, afirmou, defendendo uma visão sistêmica da matriz energética.

O debate evidenciou que, apesar do avanço das renováveis e do potencial brasileiro em bioenergia, solar, hídrica e novas rotas como o hidrogênio, o país ainda enfrenta desafios clássicos: burocracia, insegurança regulatória e limitações de infraestrutura. Ao mesmo tempo, há um consenso crescente de que a integração entre diferentes fontes — e não a substituição pura e simples — será o caminho para garantir segurança energética, competitividade e descarbonização.

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