Combustíveis fósseis começam a perder posição
Opinião
Combustíveis fósseis começam a perder posição
Em 2025, no mundo, os combustíveis fósseis continuaram perdendo mercado na geração de energia e transportes, principalmente veículos leves. Ótimo sinal para os avanços das energias renováveis e redução, principalmente, do uso do carvão
Coautores: Antônio E. F. Muller, Kazumi Miura e Bruno Leonel
De acordo com publicação da Agência Internacional de Energia (AIE), o consumo mundial de energia em 2025 foi 1,3% menor do que no ano anterior. As energias renováveis continuaram registrando ritmo de crescimento positivo, mas a redução do consumo deveu-se mais, segundo o documento, ao freio na economia global, a um clima mais ameno no planeta e ao melhor aproveitamento e uso das energias de um modo geral. Ou seja, a Humanidade começa a utilizar melhor os recursos energéticos, evitando desperdícios.
Pela primeira vez na história moderna, em 2025, as fontes renováveis de geração de energia, somadas à nuclear, ultrapassaram o carvão como principal fonte de geração de eletricidade no mundo. Estes são dados divulgados pelo centro de pesquisas da Ember, sociedade que estuda recursos e utilização de energia. Energia consumida por veículos elétricos e híbridos em 2025 cresceram mais de 20%, ultrapassando a marca de mais de 20 milhões de unidades.
O uso do carvão decresceu em 2025 na China e se estabilizou na Índia, os dois maiores consumidores globais do produto para a geração de energia. Na contramão, os Estados Unidos registraram pequeno aumento no uso do carvão, basicamente por causa do preço do gás, menos competitivo na geração elétrica. Assim, o mundo registrou redução de O,3% no uso de carvão e gás em 2025, uma queda modesta, mas inédita.
Confirmada essa tendência, quem sabe antes do final do século toda a geração de energia terá origem em fontes renováveis ou limpas combinadas com a energia nuclear. Atualmente existe em construção no mundo 53 novas usinas nucleares. Só na China, são 28 unidades.

O crescimento mais lento do uso do carvão ao longo dos últimos anos foi compensado pelo aumento imediato do uso de gás natural na geração de energia e pelo aumento exponencial da geração por fontes consideradas renováveis. Desde 2010 as fontes renováveis solar e eólica vem apresentando crescimento acelerado, bem como a retomada de programas nucleares em diversos países. Com esse avanço e a possibilidade de uso de outras fontes ainda em estágio bastante preliminar, não restam dúvidas sobre a substituição dos fósseis, principalmente o carvão e o óleo na geração energética.
Necessidade futuras de mais energia
Indicadores apontam para o aumento do consumo de energia no mundo, principalmente pela criação de 11 mil centros de processamento de dados, com consumo projetado em torno de mais de 400 TWh/ano ou 3% do total global, demandando energia nuclear e hidrelétrica como energia firme.
Além disso, a população mundial ainda cresce na média de 60 milhões de pessoas por ano, praticamente uma Espanha, já com padrões de consumo mais elevados do que os de 50 anos atrás. Por último, deve-se contabilizar o crescimento do consumo dos veículos elétricos, cuja frota salta em tamanho todos os dias.
O consumo de energia elétrica triplicou nos últimos 40 anos, o que significa que, com toda essa demanda citada, deverá continuar nesse ritmo e triplicar nos próximos 40 anos, ou 100 mil TWh, o que implica na entrada de novas fontes de suprimento.
Quais são essas fontes e até quando ainda o carvão e gás vão ser utilizados para manter a segurança energética mundial? Em 2023, a AIE estimou como evoluirá a participação das várias fontes na matriz elétrica mundial até 2050, com grande predominância das eólicas e solares e participação relativa menor de hidrelétricas e gás, além de um declínio significativo do suprimento carvão.

Antonio E. F. Muller, engenheiro mecânico, é membro vitalício da ASME, presidiu a Abemi e é conselheiro na Abimaq e Firjan.
Kazumi Miura é engenheiro agrônomo e geólogo, atuou na Petrobras Internac
Bruno Leonel é geólogo e geofísico, trabalhou na Starfish-Sonangol, OGG Petróleo e atualmente é gerente do campo de óleo de Tigre, da Petroil Óleo e Gás.



