A inexplicável falta de incentivo à Bioeletricidade no país

Opinião

A inexplicável falta de incentivo à Bioeletricidade no país

Neste ano, a expansão prevista da biomassa (114 MW) na matriz elétrica é de 15% do que foi em 2025 e muito pouco comparado à expansão em 2010 (1.750 MW). A falta de perspectiva no ambiente regulado é um 'balde de água fria' no setor

Por Zilmar de Souza

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Em 2025, a capacidade instalada da fonte biomassa na matriz elétrica brasileira cresceu em 740 MW, o quarto melhor ano dos últimos 10 anos. Esses 740 MW novos representaram 10% do aumento da capacidade instalada no país no ano passado, que foi liderado pelas fontes solar (2.816 MW, 38%) e eólica (1.889 MW, 25%), desconsiderando-se a Micro e Minigeração Distribuída (MMGD).

Atualmente, a biomassa representa 8,35% da capacidade outorgada total no país, com 18.189 MW instalados em 654 unidades geradoras, ocupando a 5ª posição na matriz elétrica, atrás das fontes hídrica, eólica, fóssil e solar centralizada.

Contudo, para o ano de 2026, a previsão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) é que a biomassa instale apenas 114 MW, ou seja, 15% do que foi instalado no ano passado, revelando uma dificuldade em se manter a regularidade na expansão dessa importante fonte não intermitente e renovável na matriz elétrica.

Neste ano, a previsão é que a fonte biomassa represente apenas 1,25% da expansão da capacidade instalada no país até dezembro. A líder na expansão em 2026 será novamente a fonte solar centralizada, com 4.620 MW (50,8% do total da expansão), seguida pelas fontes fóssil (2.787 MW, 30,7%) e eólica (1.407 MW, 15,5%).

É uma expansão muito abaixo da média esperada para a fonte biomassa. O recorde de expansão pela biomassa ocorreu em 2010, com 1.750 MW, quando a fonte representou quase 30% da expansão no país, mostrando a capacidade do setor da biomassa e de sua indústria de bens de capital em avançar no acréscimo de potência ao sistema.

A indústria de bens de capital que foi montada para atender a expansão da bioeletricidade na matriz elétrica brasileira mostra que o setor tem condições de contribuir muito mais nos objetivos de transição energética, provendo segurança elétrica e energética, por se tratar de uma fonte não intermitente, efetivamente complementar às hidrelétricas e importante provedora de serviços ancilares sem custo para o Sistema Interligado Nacional (SIN).

A falta de perspectiva no ambiente regulado - evidenciada pela exclusão da biomassa no Leilão de Reserva de Capacidade de 2026 - atua como um 'balde de água fria' no setor. Somado à ameaça de curtailment sobre as usinas de cogeração Tipo III em plena safra, corre-se o risco de desestimular uma indústria de bens de capital e de produtos que são referências mundiais em tecnologia e sustentabilidade.

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